Despedida de Wanda Chase: familiares e amigos homenageiam jornalista ao som dos tambores de grupos afros em Salvador

  • 04/04/2025
(Foto: Reprodução)
Velório e cerimônia de cremação aconteceram no Cemitério Campo Santo, em Salvador, nesta sexta-feira (4). Familiares e amigos se despedem da jornalista Wanda Chase O corpo da jornalista Wanda Chase, que não resistiu após passar por uma cirurgia de aneurisma dissecante da aorta, foi velado e cremado, nesta sexta-feira (4), sob forte comoção, em Salvador. A despedida reuniu familiares, que saíram do Amazonas, terra natal de Wanda, além de amigos e pessoas que admiravam o trabalho da jornalista. A cremação foi restrita à família. Integrantes de grupos afros compareceram ao velório para homenagear a apresentadora, que ganhou destaque pela militância negra que desenvolvia na Bahia, como as bandas Olodum e Didá e o bloco afro Ilê Aiyê. Clarindo Silva, Tito Chase, sobrinho de Wanda, Carlinhos Brown e o Vovô do Ilê carregaram o caixão com o corpo da jornalista Alan Oliveira/g1 Antônio Carlos dos Santos, popularmente conhecido como "Vovô do Ilê", presidente do bloco afro Ilê Aiyê, destacou o ativismo de Wanda no movimento negro, em entrevista ao g1. "A gente vem aqui trazer os tambores, que [ela] sempre foi muito ligada com os tambores dos blocos afro. Sempre divulgou, propagou nossa cultura. Então, por isso estamos aqui, os representantes de algumas organizações, com essa revolução dos tambores para fazer essa última homenagem a ela", falou Vovô. Lazinho Araújo, cantor e fundador da banda Olodum, que foi assessorada por Wanda, ressaltou a relação dela com a capital baiana, onde a amazonense morava desde 1991. "Aqui [em Salvador] ela se sentiu acolhida, formou residência e ganhou título de cidadã soteropolitana. Ia ganhar o de baiana, que eu acho justo, porque é uma forma de agradecer a uma mulher negra, baixinha só no tamanho, mas gigante na consciência e nas ideias", afirmou Lazinho. Integrantes das bandas Olodum e Didá e o bloco afro Ilê Aiyê, no velório de Wanda Chase Alan Oliveira/g1 O secretário de Cultura do Estado, Bruno Monteiro, também esteva presente. Em entrevista a profissionais da imprensa, ele destacou o trabalho da jornalista para a cultura do estado e contou que conheceu a jornalista no início dos anos 2000, quando veio à Bahia para curtir o Carnaval. "Eu via o carinho dos artistas com ela, toda vez que passavam na frente de onde ela estava, fazia uma referência. Depois como jornalista, a conhecer aquela figura e para nós, obviamente, fica um vazio muito grande. Eu falo aqui enquanto jornalista, mas enquanto também secretário de ultura, mas fica também um aprendizado muito grande de dar essa convivência, de ter bebido um pouco na fontes da generosidade de Wanda Chase", disse o secretário de cultura Bruno Monteiro. Já Carlinhos Brown, grande amigo de Wanda, destacou o legado que ela deixa para o movimento negro e para a comunicação. "Ela não apenas avivou para todos o desejo de que nós precisávamos não serem visíveis em uma cidade na qual são os protagonistas, mas ela ativou também um desejo de que a gente podia se unir, de que a cidade podia se unir em torno da cultura baiana", disse Brown. A jornalista também foi homenageada pela cantora Claudia Leitte, a deputada estadual Olívia Santana (PCdoB), o jornalista Casemiro Neto e instituições baianas, que enviaram coroas de flores. Wanda Chase foi velada, nesta sexta-feira (4), sob forte comoção, em Salvador Alan Oliveira/g1 A velório foi encerrado pouco depois das 16h, seguido de um cortejo de tambores até a sala onde a família seguiu com a despedida em um momentos reservado. Clarindo Silva, Tito Chase, sobrinho de Wanda, Carlinhos Brown e o Vovô do Ilê foram algumas das pessoas que carregaram o caixão com o corpo de Wanda Chase em direção à cerimônia de cremação, enquanto integrantes das bandas Olodum e Didá e o bloco afro Ilê Aiyê tocavam e cantavam. Cerimônia da cremação do corpo de Wanda Chase foi restrita a familiares Alan Oliveira/g1 Entenda o que é aneurisma da aorta A jornalista Wanda Chase morreu na madrugada de quinta-feira (3), ao passar por uma cirurgia de aneurisma dissecante da aorta, no Hospital Teresa de Lisieux, em Salvador. De acordo com o médico cardiologista e ecocardiografista Paulo Roberto Souza, o aneurisma acontece quando há uma dilatação anormal de algum vaso arterial e a camada da aorta se rompe. A aorta é a maior artéria do corpo humano, responsável por transportar sangue rico em oxigênio do coração para todo o corpo. O rompimento da aorta é a consequência mais grave do aneurisma. Conforme explicou o médico, o diagnóstico da doença pode ser dado, por exemplo, através de um ecocardiograma, durante um check-up. No entanto, os casos mais comuns são de pacientes que sentem fortes dores no abdômen ou na região do tórax e precisam dar entrada imediatamente em unidades de saúde. "Para poder entender melhor, é como se nossos vasos sanguíneos tivessem camadas e, quando há a dissecção, cada uma começasse a se soltar uma da outra. É uma emergência médica das mais fatais, não só da cardiologia, como de toda a medicina. A dissecção da aorta do tórax é um tipo mais grave", destacou o médico. Segundo o cardiologista, quando o paciente é diagnosticado, deve realizar procedimento cirúrgico com urgência. A cirurgia endovascular, que é um procedimento menos invasivo, é feita na sala de hemodinâmica, quando o cirurgião, através de um acesso, geralmente pela parte femoral [segunda maior artéria do organismo, fica na região da coxa], coloca uma prótese na aorta, para reestabelecer o funcionamento do fluxo sanguíneo. O especialista aponta que pessoas que possuem hipertensão, tabagistas, com alteração na válvula aórtica ou doenças genéticas fazem parte do grupo de risco para desenvolvimento do aneurisma de aorta. "Se o paciente tem alguma doença ou faz o check-up regularmente, muitas vezes o médico consegue detectar uma dilatação da aorta de forma precoce e pode realizar uma cirurgia eletiva antes que venha a ter a dissecção da aorta", destacou o cardiologista. Saiba quem era Wanda Chase Wanda Chase: com mais de 45 prêmios, jornalista morreu prestes a receber Título Wanda Chase se mudou para a Bahia em 1991 e trabalhou por 27 anos na TV Bahia, onde se consolidou como comunicadora e ativista do movimento negro. Ela também trabalhou em veículos de comunicação como Rede Manchete, TV Cabo Branco e Rede Globo Nordeste. Também foi assessora de imprensa da banda Olodum. Após a aposentadoria, Wanda Chase se tornou colunista do portal iBahia e participou de um projeto de podcast. Neste ano, ela trabalhou na cobertura do carnaval para um veículo de comunicação. Com 45 prêmios acumulados ao longo de mais de três décadas de atuação, a jornalista também é reconhecida por ter dado visibilidade à cultura baiana, especialmente às manifestações ligadas à cultura negra. Ivete Sangalo, Margareth Menezes e Daniela Mercury: famosos homenageiam Wanda Chase Jornalista, apresentadora e ativista do movimento negro: saiba quem era Wanda Chase Relembre momentos da trajetória da jornalista e apresentadora Jornalista Wanda Chase morre aos 74 anos, em Salvador Jornal Nacional/ Reprodução Em 2002, recebeu o Título de Cidadã Soteropolitana concedido pela Câmara Municipal de Salvador. Em março deste ano, receberia ainda o Título de Cidadã Baiana, pela Assembleia Legislativa da Bahia (Alba). No entanto, a cerimônia foi adiada por causa dos problemas de saúde da jornalista. O presidente da Fundação Cultural Palmares, João Jorge Rodrigues, foi uma das autoridades que lamentaram a morte de Wanda Chase. "Hoje, se despediu de nós, Wanda Chase, uma mulher negra, jornalista, militante do movimento negro, uma companheira incrível dessa jornada das nossas vidas, no Pelourinho, Olodum, blocos afros, na comunidade negra e comunicação. Ela vai deixar muitas saudades", disse João Jorge. João Jorge Rodrigues lamenta morte de Wanda Chase Morte de Wanda Chase Segundo a família, Wanda anunciou que estava com problemas de saúde há um mês, após uma virose. Depois de procurar ajuda médica, a jornalista foi diagnosticada com uma infecção urinária e, em seguida, uma infecção intestinal. Wanda Chase deu entrada no hospital na quarta-feira, onde teve o diagnóstico de aneurisma dissecante da aorta, passou por uma cirurgia e não resistiu. A jornalista entrou em cirurgia por volta das 17h. A morte dela foi comunicada para os familiares quase 6 horas depois. Wanda Chase Reprodução/Redes Sociais Veja mais notícias do estado no g1 Bahia. Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia 💻

FONTE: https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2025/04/04/despedida-wanda-chase.ghtml


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