Família expulsa de voo da Air France: saiba o que é downgrade e como o passageiro deve proceder

  • 21/01/2026
(Foto: Reprodução)
Downgrade no avião: veja como o passageiro deve proceder Conflitos envolvendo os assentos dos passageiros nos voos têm sido frequentes nos aviões do Brasil. Na semana passada, uma família baiana foi retirada de um voo da Air France, em Paris, após uma disputa por assento na classe executiva. Seu lugar no voo é garantido? Veja o que as companhias aéreas podem fazer (ou não) Um casal, com duas filhas, havia aceitado uma oferta da companhia de um upgrade da classe econômica premium para a executiva, mas um problema em uma poltrona impediu que os quatro passageiros tivessem seu lugar garantido no voo. Em março de 2025, a atriz Ingrid Guimarães relatou ter sido obrigada por uma tripulação da American Airlines a sair de seu assento e ir para uma classe inferior – uma prática conhecida como "downgrade". Mas quais são as situações que podem obrigar o passageiro a trocar de assento durante o voo? A prática de colocar o passageiro em uma classe inferior à que ele reservou é conhecida como “downgrade”. O g1 detalha essa situação e explica o que o passageiro deve fazer. Veja abaixo: Cabine de avião Waldemar/Unslash O que é o downgrade e por que ele acontece? O downgrade é permitido? O que o passageiro deve fazer em uma situação de downgrade? Quais são as leis que podem ser aplicadas? 1. O que é o downgrade e por que ele acontece? O downgrade ocorre quando a companhia aérea coloca o passageiro em uma classe inferior àquela originalmente reservada por questões operacionais, falta de assentos ou outras razões, explica Rodrigo Alvim, advogado especializado em direito dos passageiros aéreos. ✈️ Barraco no avião: veja as possíveis consequências para passageiros indisciplinados 2. O downgrade é permitido? A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informa que a troca de assentos, como ocorre no downgrade, deve ser feita apenas em casos específicos, que envolvam as saídas de emergência ou questões de segurança operacional. Por exemplo: os assentos que ficam ao lado das portas de emergência precisam ser ocupados por alguém que seja capaz de operá-las. A distribuição de peso no avião é outro motivo que pode fazer com que a companhia solicite a troca de assento. Não há, no entanto, uma regulamentação específica que envolva troca de assento do passageiro, ou o downgrade. Segundo a Anac, a possibilidade de alteração de lugares deve ser organizada pela empresa aérea. Segundo Nicole Villa, especialista em Direito Aeronáutico, a solicitação de downgrade é permitida. "A empresa solicita a mudança de assento muitas vezes por segurança. Podemos pensar, como comparação, com o overbooking, prática que é permitida", diz ela. Gabriel de Britto Silva, advogado especializado em direito do consumidor, ressalta, no entanto, que a companhia não pode fazer esse tipo de mudança de forma unilateral. Além disso, uma situação como uma cadeira quebrada no voo não deve gerar algum tipo de prejuízo a quem comprou a passagem. “Se o consumidor for realocado para outro assento por uma questão de manutenção da aeronave, como uma cadeira quebrada, o ar-condicionado pingando sobre o assento ou um cinto de segurança inoperante, ele deverá ser reparado”, diz Britto Silva. 3. O que o passageiro deve fazer em uma situação de downgrade? O primeiro caminho sugerido é o diálogo entre as partes. O passageiro pode pedir ressarcimento ou algum tipo de compensação, caso a empresa não ofereça uma contrapartida. Para Rodrigo Alvim, os principais direitos incluem o reembolso da diferença de preço entre os assentos que o passageiro pagou e o que ele terá que ocupar. “Essa compensação é importante, pois o passageiro pagou por um serviço superior que não foi entregue.” Já Gabriel de Britto Silva afirma que o passageiro pode cobrar a restituição do valor dobrado da diferença entre os assentos. Além disso, ambos citam que o consumidor, dependendo do caso, tem direito a compensação por danos morais. Nicole Villa ressalta que as situações de downgrade precisam ser observadas caso a caso para checar se houve, de fato, uma justificativa da empresa para fazer o pedido ao passageiro. Villa também lembra que, caso o passageiro não tenha a compensação que pretendia, ele pode buscar outras vias, como o SAC, a ouvidoria da empresa e o canal consumidor.gov, antes de entrar com uma ação judicial. "E se ele não se sentir satisfeito e ainda assim quiser uma compensação, a via judicial pode ser o caminho.” Caso o consumidor decida acionar a empresa, a recomendação é que ele reúna provas do que ocorreu para embasar sua argumentação (veja mais abaixo). 💼Sua bagagem foi extraviada após o check-in? Veja o que fazer 4. Quais são as leis que podem ser aplicadas? Algumas regulamentações ou legislações podem ajudar o passageiro a entender seus direitos no transporte aéreo, inclusive em casos de troca de assento ou de downgrade. Nicole Villa citou que a situação de downgrade pode ser observada como um caso de overbooking – quando uma empresa vende mais passagens do que a capacidade do avião, prática permitida pela legislação brasileira, e alguns clientes ficam sem assento. O overbooking é descrito na Resolução número 400 da Anac, de 2016, e permite à empresa reacomodar passageiros em outro voo “mediante a aceitação de compensação negociada” entre as partes. Outra regulamentação citada pela advogada é o artigo 251 A do Código Brasileiro de Aeronáutica, que afirma que a indenização por "dano extrapatrimonial em decorrência de falha na execução do contrato de transporte fica condicionada à demonstração da efetiva ocorrência do prejuízo”. Ou seja: caso busque uma indenização, o passageiro precisará reunir evidências do que ocorreu. “É um artigo bem importante e uma questão de conscientização para a gente como passageiro, pois estabelece a necessidade de provar a ocorrência de dano moral. É importante entender o que a lei fala e ter as provas do que se pretende alegar”, diz Nicole Villa. Já Gabriel Britto de Silva mencionou o artigo 42 do Código Brasileiro do Consumidor ao justificar que o passageiro pode ter direito à restituição do valor dobrado da diferença entre os assentos. Sobre uma eventual alegação de danos morais, o especialista afirma que é possível usar artigos tanto da Constituição quanto do Código Civil para fundamentar a denúncia. Vale ressaltar que, nos casos de Ingrid Guimarães e da família baiana, os voos eram internacionais e os episódios ocorreram fora do Brasil, o que pode limitar a aplicação do Código de Defesa do Consumidor. Sua mala não chegou junto com o voo? Veja o que fazer se a bagagem for perdida

FONTE: https://g1.globo.com/turismo-e-viagem/noticia/2026/01/21/caso-ingrid-guimaraes-entenda-o-que-e-downgrade-e-como-o-passageiro-deve-proceder.ghtml


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