Oito pessoas são presas suspeitas de ataque contra turistas em região de disputa de terras entre indígenas e fazendeiros na Bahia

  • 24/02/2026
(Foto: Reprodução)
Policiamento é reforçado no extremo sul após conflitos entre indígenas e fazendeiros Oito pessoas foram presas e quatro adolescentes apreendidos, suspeitas de envolvimento no ataque que terminou com duas turistas do Rio Grande do Sul, no município de Prado, no extremo sul da Bahia, nesta terça-feira (24). As informações foram confirmadas pela Secretaria de Segurança Pública do estado (SSP-BA). (CORREÇÃO: ao publicar esta reportagem, o g1 divulgou, com base em informações da PF e da SSP-BA, que cinco pessoas haviam sido detidas suspeitas de envolvimento no ataque. A SSP-BA retificou o número e disse que, ao todo, doze pessoas foram conduzidas à delegacia. A informação foi corrigida às 20h20) Conforme informações apuradas pela TV Bahia, além da situação das turistas, os suspeitos também estão envolvidos nos recentes conflitos de terra entre indígenas e fazendeiros da região. Todos foram levados à delegacia de Porto Seguro, cidade que fica na mesma região, onde seguem à disposição da Justiça. De acordo com a SSP-BA, eles foram autuados em flagrante por tentativa de homicídio, associação criminosa, porte ilegal de arma de fogo e corrupção de menores. Além das detenções, a ação terminou com a apreensão de cinco armas de fogo, munições e celulares. Os armamentos estavam enterrados em uma área de mata fechada, próxima ao local onde as turistas foram baleadas. 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia Armas foram apreendidas com grupo detido pela polícia. Polícia Federal As turistas, que não tiveram os nomes divulgados, têm 55 e 57 anos e passam férias em Corumbau. Elas foram atingidas durante um passeio até Barra do Cahy, praia que fica a cerca de 44 km de onde estavam hospedadas, na cidade de Prado. Ao passar por um bloqueio feito por indígenas — que estão em um movimento chamado "ação de retomada do território" — em uma estrada vicinal, o carro em que elas estavam foi atingido por tiros. A estrada fica no território indígena de Comexatibá, que possui pouco mais de 28 mil hectares e é motivo de conflito entre indígenas e fazendeiros. Em depoimento, as vítimas contaram que elas visualizaram o bloqueio na estrada e que os disparos aconteceram durante uma tentativa de desvio. Elas afirmaram ainda que o grupo com rostos pintados. Além das duas turistas, um homem estava no veículo, mas não foi atingido. Após serem baleadas, as vítimas foram atendidas em um posto de saúde em Corumbau, distrito de Prado, e depois foram transferidas de helicóptero para o Hospital Regional de Porto Seguro. Conforme informações apuradas pela TV Santa Cruz, afiliada da TV Bahia na região, elas passaram por cirurgia e não correm risco de morte. Tiros atingiram o carro que as turistas estavam na cidade de Prado Redes sociais Ainda em nota, a Secretaria de Segurança Pública da Bahia afirmou que determinou o reforço imediato de segurança na região e que a Polícia Civil vai investigar o caso. Turistas são baleadas no extremo sul da Bahia Em nota, o Ministério da Justiça informou que a terra indígena de Comexatibá foi declarada posse permanente do povo indígena Pataxó em novembro de 2025. O órgão também detalhou que o processo foi encaminhado à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) para prosseguimento, incluindo a demarcação física do território. Por sua vez, a Funai afirmou que acompanha a situação com preocupação e que o processo "de demarcação segue em curso, aguardando a fase final de homologação". Diante disso, o órgão detalhou que mantém a articulação com órgãos de segurança pública e outras instituições federais, prezando pela devida apuração dos fatos. O Coletivo de Lideranças Indígenas da Terra Indígena Comexatibá afirmou, em nota publicada no fim da noite desta terça, que os disparos que atingiram as duas turistas gaúchas não foram feitos por integrantes do movimento pela terra indígena de Comexatibá. "O que vem ocorrendo é uma escalada de ações de grupos armados e organizados por interesses privados — sobretudo fazendeiros e suas redes de comunicação — que buscam criminalizar nosso movimento e confundir a opinião pública", argumentou o grupo. O coletivo afirmou ainda que repudia os atos de violência que aconteceram na terra indígena e reivindicou proteção das autoridades diante da tensão na região. Eles pontuam que, apesar da declaração, a não demarcação física da terra põe os povos indígenas em "situação de vulnerabilidade e insegurança jurídica permanente". "Que as autoridades competentes investiguem com imparcialidade e transparência os episódios violentos ocorridos hoje", exigem. Confira a nota da Funai na íntegra: "A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) acompanha, com elevada preocupação, os acontecimentos registrados nesta data na Terra Indígena (TI) Comexatibá, localizada no município de Prado (BA). Informa-se que tanto a Polícia Militar quanto a Polícia Federal foram acionadas e compareceram ao local para apuração da situação. A Funai esclarece que não tem competência investigativa na questão e maiores informações sobre a ocorrência devem ser obtidas junto à Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) e aos órgãos de segurança. Adicionalmente, cabe destacar que a Terra Indígena (TI) Comexatibá, na região de Prado (BA), já foi declarada de posse permanente do povo Pataxó pelo Ministério da Justiça em novembro de 2025, por meio da Portaria nº 1.073 e o processo de demarcação segue em curso, aguardando a fase final de homologação. Diante da situação, a Funai mantém articulação com órgãos de segurança pública e demais instituições federais e preza pela devida apuração dos fatos, reforçando a necessidade de proteção tanto às comunidades indígenas quanto à população civil na região. A Funai preza pela mediação institucional e pela busca de soluções pacíficas para o conflito, e repudia toda forma de violência." Veja a nota da SSP na íntegra: "Doze pessoas conduzidas na tarde de terça-feira (24), por envolvimento no ataque contra turistas do Rio Grande do Sul, ocorrido na cidade de Prado, no Extremo Sul da Bahia, foram autuadas por tentativa de homicídio, associação criminosa, porte ilegal de arma de fogo e corrupção de menores. Oito adultos e quatro adolescentes foram alcançados pelas Polícias Militar, Federal e Civil, minutos após as vítimas serem atingidas por disparos de armas de fogo. Com os 12 foram apreendidos quatro carabinas e um revólver calibres 12 e 38, além de munições. Em depoimento, as vítimas contaram que faziam um passeio pela região quando visualizaram um bloqueio na estrada. Durante a tentativa de desvio, o grupo com rostos pintados disparou contra o veículo. Equipes da Força Integrada de Combate a Crimes Comuns envolvendo Povos e Comunidades Tradicionais seguem na região reforçando o patrulhamento e as ações de inteligência." LEIA TAMBÉM: Terras indígenas na Bahia têm portarias de demarcação assinadas na COP30 Justiça reconhece direito de indígenas a terras de fazenda no sul da Bahia 'Terras em Guerra': assista aos cinco episódios da série sobre os conflitos entre indígenas e produtores rurais da Bahia Veja mais notícias do estado no g1 Bahia. Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia 💻

FONTE: https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2026/02/24/grupo-e-preso-apos-turistas-serem-baleadas-em-prado.ghtml


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