Turista presa por injúria racial em Salvador é solta após audiência de custódia
23/01/2026
(Foto: Reprodução) Marcada audiência de custódia de turista gaúcha que cometeu injúria racial
A turista do Rio Grande do Sul presa por suspeita de injúria racial em Salvador foi solta, nesta sexta-feira (23), após passar por audiência de custódia.
Gisele Madrid Spencer Cesar, de 50 anos, estava presa desde a quarta-feira (21), depois de falar ofensas racistas e cuspir em uma vendedora ambulante negra, no Pelourinho, no Centro Histórico.
Durante a audiência, a defesa da mulher pediu o relaxamento da prisão, alegando ausência de materialidade da injúria racial e falta de demonstração de flagrância.
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No entanto, a Justiça entendeu que as duas coisas estavam suficientemente demonstradas pelos elementos colhidos na investigação.
Gisele Madrid Spencer Cesar, de 50 anos, foi presa suspeita de injúria racial contra comerciante no Pelourinho
Reprodução/Redes Sociais
Em outro ponto, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) requereu a liberdade provisória para Gisele — o que foi acolhido pela Justiça. A soltura está condicionada a medidas cautelares. São elas:
Comparecimento a todos os atos do processo, desde que intimada, devendo manter seu endereço atualizado nos autos do processo;
Comparecimento bimestral em Juízo, por um ano, a partir do desta sexta-feira, para informar e justificar suas atividades;
Proibição de se ausentar da Comarca de Porto Alegre, por período superior a dez dias, sem autorização judicial;
Proibição de acesso ou frequência à Praça das Artes, situada no Pelourinho, nesta Cidade;
Proibição de manter contato com a vítima e as testemunhas.
O g1 tentou, mas não conseguiu contato com a defesa de Gisele Madrid Spencer Cesar até a última atualização desta reportagem.
Relembre o crime
O crime aconteceu na Praça das Artes, durante um evento gratuito que acontecia no local. Em entrevista à TV Bahia, a vítima, identificada como Hanna, contou que trabalhava no bar do evento quando foi xingada de "lixo" pela suspeita.
"Eu fiz uma venda e retirei o balde um cliente. No momento que eu passei, ela falou: 'Vai mais um lixo'. Eu questionei e ela reafirmou que eu era um lixo e deu uma 'escarrada' em mim. Ela correu e eu perdi ela de vista. Ela teve problemas com outras pessoas e o segurança estava tentando tirar ela do evento", detalhou a mulher.
Segundo a comerciante, a turista olhava nos olhos dela e dizia: "Eu sou branca". A prisão foi realizada pela Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin).
Após o registro da ocorrência, a turista foi conduzida à Decrin, onde, segundo a polícia, continuou a adotar uma conduta discriminatória. Ainda na unidade policial, ela solicitou atendimento exclusivo por um delegado de pele branca.
Fotos nas redes sociais
Dias antes do crime, a mulher publicou fotos com baianas e com Filhos de Gandhy. Gisele se apresenta nas redes sociais como criadora de conteúdo para viajantes. Ela estava em Salvador há cerca de sete dias e participou da Lavagem do Bonfim, festa popular da capital baiana com elementos do catolicismo e de religiões de matriz africana.
Na ocasião, Gisele postou fotos com um grupo de baianas. No estado, as baianas são mulheres negras que representam uma tradição cultural ligada à história, religião, comida e identidade.
"O que que a baiana tem", escreveu na postagem.
Suspeita de injúria racial tirou fotos com baianas antes de ser presa
Redes sociais
A turista também publicou uma foto com integrantes do grupo de Filhos de Gandhy. O afoxé criado em 1949, no Centro Histórico de Salvador, é um símbolo de resistência negra e prega uma mensagem de paz e de valorização da cultura afro-brasileira.
A suspeita também curtiu o show de Timbalada, banda e movimento musical de Salvador criada pelo músico Carlinhos Brown. O grupo une ancestralidade, identidade afro-baiana e inovação.
Prisão por injúria racial
Suspeita tirou foto com integrantes do Filhos de Gandhy
Redes sociais
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